Índios querem criar Estado independente em Roraima, diz Abin
Relatório à Presidência diz que conselho indígena quer formar "cinturão" de reservas
MATHEUS LEITÃO
LEONARDO SOUZA
DE BRASÍLIA
Um relatório da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) revela preocupação com a criação de um Estado indígena independente em Roraima, "com apoio de governos estrangeiros e ONGs".
O documento, ao qual a Folha teve acesso, foi enviado pelo serviço secreto para o GSI (Gabinete de Segurança Institucional) da Presidência em 2010. O texto diz que índios de RR teriam o desejo de "autonomia política, administrativa e judiciária".
Em nota, o GSI afirmou que "não se pronuncia sobre atividades de inteligência".
O relatório diz que o CIR (Conselho Indígena de Roraima) "passou a defender abertamente a ampliação e demarcação de outras terras indígenas" após o julgamento da reserva Raposa/Serra do Sol pelo STF em 2008.
A preocupação da Abin é que o CIR forme "um cinturão de reservas indígenas". Segundo a Funai, as 32 terras indígenas de Roraima ocupam 46% da área do Estado.
MILÍCIAS ARMADAS
Apesar das rivalidades entre as nove etnias indígenas de RR -o que dificulta a criação de um Estado independente- a Abin acredita na existência de milícias armadas. "Revólveres e espingardas foram encontrados e teriam sido contrabandeadas da Venezuela e da Guiana."
A Abin diz ainda que a advogada licenciada do CIR, Joênia Batista de Carvalho, confidenciou um desejo dos índios junto ao Congresso: a transformação da Raposa/ Serra do Sol no primeiro território autônomo indígena.
A advogada nega e diz que "é absurda a intenção da Abin em procurar o afastamento geral da sociedade contra os índios".
A agência também se mostra preocupada com a ratificação do Brasil à Declaração dos Direitos dos Povos Indígenas, assinada em 2007 na ONU. Para a Abin, se confirmado pelo Congresso, torna ineficaz "as restrições elaboradas pelo STF ao usufruto da terra pelos índios".
As ressalvas impostas pela corte são o marco constitucional para terras indígenas e em futuras demarcações. Elas dão usufruto das terras para os índios, mas as mantêm sob as rédeas da União.
"Nós já fizemos a nossa parte. Que o governo seja digno ao fazer a parte dele", afirma o ministro Ayres Britto, relator do processo.
OUTRO LADO
Por e-mail, o CIR informou que "nunca propugnou a criação de uma nação independente" e"sempre atuou no sentido de promover a cidadania plena dos povos indígenas como membros do Estado brasileiro", ajudando "na inclusão de nossos povos como determina a Constituição Federal".
RESPOSTA DE EDUARDO ALMEIDA:
O entulho da Ditadura vive, às vésperas de um
provável terceiro mandato da coligação de
centro-esquerda. Inacreditável. A ABIN é um
serviço do Estado Democrático ou um partido
político-ideológico? O que é conceito e o que
é preconceito no alegado documento da ABIN?
Vamos ver que força tem Lula diante desse fato.
abç
Eduardo
segunda-feira, julho 26, 2010
terça-feira, julho 06, 2010
ONGs promovem abaixo assinado em prol dos animais
A primeira delegacia de proteção animal do estado de São Paulo surgiu em Campinas e agora é a vez da capital ter uma unidade policial especializada em fazer cumprir as leis existentes em favor dos animais. A iniciativa é do Clube dos Vira-latas e já conta com o apoio do deputado Celso Giglio que encaminhou um pedido oficial ao Governador. Até o dia 30/julho de 2010 a ONG espera registrar 50 mil assinaturas e entregar em mãos ao governador do estado de São Paulo em exercício Alberto Goldman, que está substituindo José Serra por conta da candidatura do mesmo à presidência da república. Acesse e assine: www.cao.com.br
Entendimento entre PSDB e DEM fracassa no Pará
Painel
RENATA LO PRETE - painel@uol.com.br
Vale este
Diante do barulho causado pelo programa de governo de Dilma Rousseff entregue ontem ao TSE, no qual se destacam itens como a taxação de fortunas e o "controle social" dos meios de comunicação, o comando da campanha não apenas trocou o texto por uma versão atenuada, já perto do horário-limite, como atribuiu a um erro da "área jurídica" a apresentação do primeiro documento, debatido em fevereiro na pré-convenção do PT. Sobre a ausência de contribuições dos aliados, notadamente o PMDB, o QG dilmista alega que os demais partidos foram estimulados a registrar seus próprios programas, para futura junção. A sigla de Michel Temer nada entregou.
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Não... Do presidente do PT, José Eduardo Dutra, quando o partido aprovou o documento na pré-convenção: "Vou falar pela milésima vez: essas são apenas diretrizes, que serão submetidas à candidata, à sociedade e aos partidos aliados".
...e não De Michel Temer, presidente do PMDB e vice de Dilma, na época: "Não vamos nem aceitar prato feito nem brigar. Você só faz coalizão eleitoral dialogando com programas de governo".
De verdade A Rede Globo acredita que será possível realizar seu debate, o último antes do primeiro turno, apenas com Dilma, Serra e Marina -os três candidatos com votação expressiva. Quanto maior o número de participantes, menor a eficiência desse tipo de evento.
Armistício Ontem, depois de participarem de reunião sobre o debate na sede da Globo, no Rio, os marqueteiros de Dilma, João Santana, e de Serra, Luiz Gonzalez, "racharam" um táxi até o aeroporto Santos Dumont.
Língua do P De Dutra, tranquilizando seguidores no Twitter após sofrer uma crise de hipertensão: "Calma pessoal! Foi só um "piriPAC'". Resposta do ministro Alexandre Padilha: "Cuide-se. Meu secretário-executivo ficou tão preocupado que teve um "piriPAC2'".
Em resumo De um veterano observador de campanhas presidenciais: "A situação está mais difícil para Serra do que o PSDB calculava há alguns meses e menos fácil para Dilma do que o PT imaginava semanas atrás".
Melou 1 Apesar dos esforços de última hora das cúpulas dos dois partidos, fracassou a tentativa de entendimento no Pará entre DEM e PSDB, aliados no plano nacional. O tucano Simão Jatene registrou a chapa ao governo com o correligionário Flexa Ribeiro como candidato único ao Senado. Valéria Pires Franco (DEM) sobrou.
Melou 2 A direção do DEM vê na atitude do PSDB local uma tentativa de atrair, no segundo turno, o apoio de Jader Barbalho -daí Jatene ter preferido lançar apenas um nome ao Senado, para o qual o peemedebista tentará se eleger. O problema é que a governadora Ana Júlia (PT), candidata a novo mandato, espera o mesmo de Jader.
Despejo O governo de São Paulo entrou em atrito com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) ao enviar uma carta dando 60 dias de prazo para a entidade deixar sua sede, no Parque da Água Branca, que será transformada em biblioteca temática de agricultura.
Parada O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), organiza uma manifestação, no próximo dia 13, nos moldes do protesto liderado pelo colega Sérgio Cabral (PMDB) no Rio de Janeiro, contra a divisão dos royalties do pré-sal. O presidente Lula visitará o Estado dois dias depois para inaugurar uma plataforma.
--------------------------------------------------------------------------------
com SILVIO NAVARRO e LETÍCIA SANDER
Tiroteio
"Na pressa de registrar a candidatura, eles devem ter entregue o caderno errado."
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DO DEPUTADO EDUARDO CUNHA (PMDB-RJ), sobre o fato de o programa de governo de Dilma, apresentado ontem ao TSE, não contemplar uma única linha do tão comentado documento com propostas elaborado pelo aliado PMDB.
Contraponto
Imelda Marco Antônio
Políticos e autoridades de São Paulo se revezavam ontem ao microfone durante a abertura da Francal, maior feira de calçados do país, no Anhembi. Quando chegou a vez de a vice-prefeita, Alda Marco Antônio, discursar, a peemedebista não escondeu a euforia:
-Eu sou a única mulher neste palco, e estou muito feliz, porque toda mulher gostaria de ter cem pares de sapatos no armário!
A plateia riu, e ela ainda teve tempo de emendar:
-As que não têm certamente estão lutando por isso!
RENATA LO PRETE - painel@uol.com.br
Vale este
Diante do barulho causado pelo programa de governo de Dilma Rousseff entregue ontem ao TSE, no qual se destacam itens como a taxação de fortunas e o "controle social" dos meios de comunicação, o comando da campanha não apenas trocou o texto por uma versão atenuada, já perto do horário-limite, como atribuiu a um erro da "área jurídica" a apresentação do primeiro documento, debatido em fevereiro na pré-convenção do PT. Sobre a ausência de contribuições dos aliados, notadamente o PMDB, o QG dilmista alega que os demais partidos foram estimulados a registrar seus próprios programas, para futura junção. A sigla de Michel Temer nada entregou.
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Não... Do presidente do PT, José Eduardo Dutra, quando o partido aprovou o documento na pré-convenção: "Vou falar pela milésima vez: essas são apenas diretrizes, que serão submetidas à candidata, à sociedade e aos partidos aliados".
...e não De Michel Temer, presidente do PMDB e vice de Dilma, na época: "Não vamos nem aceitar prato feito nem brigar. Você só faz coalizão eleitoral dialogando com programas de governo".
De verdade A Rede Globo acredita que será possível realizar seu debate, o último antes do primeiro turno, apenas com Dilma, Serra e Marina -os três candidatos com votação expressiva. Quanto maior o número de participantes, menor a eficiência desse tipo de evento.
Armistício Ontem, depois de participarem de reunião sobre o debate na sede da Globo, no Rio, os marqueteiros de Dilma, João Santana, e de Serra, Luiz Gonzalez, "racharam" um táxi até o aeroporto Santos Dumont.
Língua do P De Dutra, tranquilizando seguidores no Twitter após sofrer uma crise de hipertensão: "Calma pessoal! Foi só um "piriPAC'". Resposta do ministro Alexandre Padilha: "Cuide-se. Meu secretário-executivo ficou tão preocupado que teve um "piriPAC2'".
Em resumo De um veterano observador de campanhas presidenciais: "A situação está mais difícil para Serra do que o PSDB calculava há alguns meses e menos fácil para Dilma do que o PT imaginava semanas atrás".
Melou 1 Apesar dos esforços de última hora das cúpulas dos dois partidos, fracassou a tentativa de entendimento no Pará entre DEM e PSDB, aliados no plano nacional. O tucano Simão Jatene registrou a chapa ao governo com o correligionário Flexa Ribeiro como candidato único ao Senado. Valéria Pires Franco (DEM) sobrou.
Melou 2 A direção do DEM vê na atitude do PSDB local uma tentativa de atrair, no segundo turno, o apoio de Jader Barbalho -daí Jatene ter preferido lançar apenas um nome ao Senado, para o qual o peemedebista tentará se eleger. O problema é que a governadora Ana Júlia (PT), candidata a novo mandato, espera o mesmo de Jader.
Despejo O governo de São Paulo entrou em atrito com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) ao enviar uma carta dando 60 dias de prazo para a entidade deixar sua sede, no Parque da Água Branca, que será transformada em biblioteca temática de agricultura.
Parada O governador do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), organiza uma manifestação, no próximo dia 13, nos moldes do protesto liderado pelo colega Sérgio Cabral (PMDB) no Rio de Janeiro, contra a divisão dos royalties do pré-sal. O presidente Lula visitará o Estado dois dias depois para inaugurar uma plataforma.
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com SILVIO NAVARRO e LETÍCIA SANDER
Tiroteio
"Na pressa de registrar a candidatura, eles devem ter entregue o caderno errado."
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DO DEPUTADO EDUARDO CUNHA (PMDB-RJ), sobre o fato de o programa de governo de Dilma, apresentado ontem ao TSE, não contemplar uma única linha do tão comentado documento com propostas elaborado pelo aliado PMDB.
Contraponto
Imelda Marco Antônio
Políticos e autoridades de São Paulo se revezavam ontem ao microfone durante a abertura da Francal, maior feira de calçados do país, no Anhembi. Quando chegou a vez de a vice-prefeita, Alda Marco Antônio, discursar, a peemedebista não escondeu a euforia:
-Eu sou a única mulher neste palco, e estou muito feliz, porque toda mulher gostaria de ter cem pares de sapatos no armário!
A plateia riu, e ela ainda teve tempo de emendar:
-As que não têm certamente estão lutando por isso!
quarta-feira, junho 09, 2010
Matar a natureza é matar o lucro
Pinkaiti@yahoogrupos.com.br
revista veja
Enviado por: "Danilo Pretti Di Giorgi"
Ter, 8 de Jun de 2010 11:54 am
Tem novidade aí, em especial por se tratar da revista veja
abs
danilo
http://veja.abril.com.br/090610/matar-natureza-matar-lucro-p-148.shtml
Ambiente
Matar a natureza é matar o lucro
As empresas descobrem que a biodiversidade significa dinheiro
em caixa e que a saúde do negócio está vinculada à saúde do planeta
Gabriela Carelli
Até pouco tempo atrás, as empresas costumavam atrelar seu nome às causas verdes principalmente como estratégia de marketing. À medida que o mundo tomava consciência das questões ambientais, em especial a degradação dos recursos naturais, demonstrar preocupação com o planeta era uma forma de lustrar a imagem da companhia e atrair os consumidores para suas marcas. Essa relação entre o mundo dos negócios e a natureza avançou dramaticamente. Se antes as empresas patrocinavam o reflorestamento de uma área ou reciclavam seu lixo, colocavam a conta na lista de despesas, sem esperar retorno financeiro. Hoje, os custos de ações como essas vão para a lista de investimentos, já que podem significar lucros e crescimento nos negócios. Conglomerados como a General Electric, o Walmart e a IBM mantêm projetos de ecoeficiência e de preservação do ambiente porque os consideram estratégicos para a própria sobrevivência. O que mudou? Para entender o fenômeno, tome-se como exemplo a Coca-Cola, uma das marcas mais valiosas do mundo.
Há dez anos, quando anunciou uma série de investimentos inéditos em projetos ambientais, a Coca-Cola não estava preocupada com o derretimento das geleiras do Ártico nem queria salvar os ursos-polares ameaçados de extinção. Diante de estudos que apontavam para a crescente escassez de água doce no planeta, a empresa se convenceu de que ignorar o problema poderia ser perigoso para o futuro de seu negócio. A água é a principal matéria-prima para a fabricação dos mais de 3 000 produtos da marca. A companhia injetou bilhões de dólares na criação de métodos e programas de reutilização e tratamento de água em suas fábricas, em mais de 200 países. Os resultados começaram a aparecer recentemente. Em cada uma das 43 unidades brasileiras, gastavam-se 5,5 litros de água para produzir 1 litro de refrigerante. Hoje esse gasto é de 2,04 litros. A redução representa uma economia de 500 000 reais ao ano, por fábrica. "Com a população mundial perto dos 9 bilhões e a água cada vez mais escassa, não tínhamos outro caminho a seguir", afirmou recentemente o presidente mundial da Coca-Cola, Muhtar Kent, em entrevista à revista Forbes.
"O aquecimento global, a escassez de água, a extinção das espécies e o despejo de produtos tóxicos afetaram profundamente o funcionamento da sociedade e também o das empresas", disse a VEJA o economista Andrew Winston, da Universidade Princeton, consultor de grandes companhias para questões ambientais. "Pela primeira vez na história, os empresários deparam com limites de crescimento reais impostos por questões relacionadas à natureza", ele completa. O mundo dos negócios e o mundo natural estão inextricavelmente ligados. Todo produto que chega ao consumidor, seja um carro, um tênis ou uma xícara de café, tem origem na extração ou colheita de bens da natureza. Esses bens, a água, as terras cultiváveis, as florestas, são finitos. Justamente nesse ponto reside o maior desafio para as empresas. Desde a Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, o modelo econômico mundial privilegiou a produção em detrimento da preservação dos recursos naturais. Essa conta está sendo cobrada agora – e é bem cara.
A destruição da biodiversidade nunca foi tão intensa. De acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas divulgado no mês passado, mais de 60% de todos os ecossistemas do planeta estão ameaçados. Desse total, 35% são mangues e 40% florestas. Hoje, a demanda por recursos naturais excede em 35% a capacidade da Terra. Se a escalada dessa demanda continuar no ritmo atual, em 2030 serão necessárias duas Terras para satisfazê-la. Entre 2000 e 2005, a devastação das florestas na América do Sul foi de 4,3 milhões de hectares, 3,5 milhões deles no Brasil. De acordo com a ONU, só o desmatamento e a degradação de áreas de mangue causam um prejuízo anual de 2,5 a 4,5 trilhões de dólares à economia global. Equivale a jogar no lixo um valor próximo ao PIB do Japão, o segundo maior do mundo.
Nesta semana, em Busan, na Coreia do Sul, representantes de um conjunto de países estarão reunidos para discutir a criação de um grupo destinado a estudar as consequências das alterações na biodiversidade do planeta. Será um organismo semelhante ao IPCC, da ONU, que estuda as mudanças climáticas e seus efeitos. O material de trabalho do grupo a ser formado é o relatório "Aspectos econômicos dos ecossistemas e da biodiversidade", elaborado por treze países, entre desenvolvidos e emergentes, cuja última parte será divulgada em outubro. Estima-se que ele terá o mesmo impacto do estudo sobre as mudanças climáticas divulgado em 2006 pelo economista inglês Nicholas Stern, que norteou boa parte das pesquisas sobre o tema a partir de então. A criação da nova equipe se justifica porque os problemas na biodiversidade, em grande parte, ocorrem em pontos específicos do planeta, enquanto a questão do clima tem alcance global.
Calcular, em dinheiro, o prejuízo da destruição dos recursos naturais não é tarefa fácil. Primeiro, é preciso atribuir um valor monetário a toda a biodiversidade da Terra. O economista Robert Costanza, da Universidade de Vermont, foi o primeiro a fazê-lo. Em 1997, ele concluiu que a biodiversidade do planeta valia 33 trilhões de dólares. São 45 trilhões de dólares, em valores atuais. Para chegar a essa quantia, estimou-se quanto custariam os serviços prestados gratuitamente pela natureza ao homem, como a água limpa, o solo fértil para plantio de alimentos, a purificação do ar pelas florestas, a polinização e outros recursos naturais. Foram avaliadas dezessete categorias, que ganharam o nome de serviços ambientais. "A conta é complicada e pode implicar erros pontuais, mas até agora é a única maneira eficiente que os ambientalistas e economistas encontraram de mostrar para a sociedade e para as empresas quanto está sendo desperdiçado", diz Ernesto Cavasin, especialista em sustentabilidade, da consultoria PricewaterhouseCoopers.
A criação de índices de sustentabilidade nas principais bolsas de valores do mundo reflete a valorização das companhias verdes. Quando o mercado de capitais, centro financiador do desenvolvimento econômico, cria um índice, dá um recado explícito às empresas do que ele procura. Nesse caso, o mercado deixou claro que a agenda socioambiental não pode ser ignorada pelas empresas que querem prosperar. Na Bolsa de Valores de São Paulo, o índice de sustentabilidade (ISE), criado há cinco anos, mostra resultados melhores do que o índice tradicional. No ano passado, as ações medidas pelo índice Ibovespa subiram 18,5%, enquanto as medidas pelo ISE da Bovespa aumentaram 24,7%. Atualmente, 34 empresas integram essa carteira de ações. "O mundo financeiro se move de acordo com a sua percepção de risco. Aos olhos dos investidores, a falta de preocupação ambiental de uma companhia denota falta de zelo com o próprio patrimônio", explica Sônia Favaretto, diretora de sustentabilidade da BM&FBovespa.
Há quinze anos, a Sadia começou a ter problemas com as fazendas que lhe fornecem os porcos para a produção de alimentos industrializados. Os ambientalistas queixavam-se de que o dejeto dos animais, rico em metano, um dos principais gases do efeito estufa, era descartado no ambiente sem controle algum. As reclamações trouxeram muitas dores de cabeça para a Sadia, mas a companhia conseguiu tirar vantagem da situação. Primeiro, desenvolveu uma técnica para transformar os dejetos em adubo e depois em energia elétrica. O metano, quando queimado, tem o seu impacto na atmosfera reduzido em 21 vezes. Com 1 086 suinocultores parceiros do projeto, a Sadia pretende, agora, lucrar com a iniciativa com a venda de créditos de carbono.
Um marco na adesão das empresas à economia verde se deu em 2005, quando a General Electric e o Walmart, duas das maiores empresas do mundo, começaram a reformulação em seus negócios. A GE lançou uma linha batizada de Ecomagination, inicialmente com dezessete produtos. Eles aliavam um menor custo de produção a um menor impacto no ambiente. Hoje, a linha conta com oitenta produtos, que vão de lâmpadas fluorescentes a motores de trem que emitem menos CO2 e consomem menos água. Em 2008, a empresa lucrou, só com a linha verde, 17 bilhões de dólares, 21% a mais do que no ano anterior. Com o lema "Aqui preservar é um bom negócio", o Walmart começou uma transformação no modelo tradicional de varejo. Dizendo-se preocupado com o futuro do planeta, o então presidente mundial da rede, Lee Scott, anunciou que a empresa deveria, a longo prazo, utilizar em suas lojas 100% de energia renovável, reduzir a zero a produção de lixo em sua operação e vender apenas produtos que não ameaçassem a natureza. Desde então, a maioria das lojas do Walmart conseguiu economizar 25% de energia. No Brasil, 140 das 388 lojas encaminham seus resíduos para reciclagem. Eles são transformados em ração para animais ou adubo.
Os caminhos até uma economia verde e sustentável começaram a ser traçados na década de 70, quando os efeitos danosos da industrialização no ambiente se tornaram mais visíveis. Em 1987, a expressão desenvolvimento sustentável foi definida no relatório "Nosso futuro comum", também conhecido como Relatório Brundtland, elaborado pela Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento, da ONU. Surgia a ideia de que o desenvolvimento não deveria implicar riscos à natureza a ponto de prejudicar as gerações futuras. No decorrer da década de 90, com as discussões em torno do aquecimento global, a sociedade começou a pressionar as instituições financeiras para boicotar grandes poluidores. Surgiu assim, em 2002, o tratado Princípios do Equador, a primeira intervenção real do setor econômico na questão da preservação da natureza. No acordo, dez dos maiores bancos do mundo se comprometeram a não emprestar dinheiro a empresas que desprezassem as preocupações com o ambiente em suas atividades. Era questão de tempo para que, ao longo da década, as empresas de todos os ramos de atividade descobrissem que destruir a natureza é reduzir seus próprios lucros.
Varejo sem desperdício
Claudio Gatti
No ano passado, a rede de supermercados Pão de Açúcar investiu 60 milhões de reais em iniciativas sustentáveis. As mais vistosas são as sete lojas verdes (acima) espalhadas pelo país. Elas são equipadas com lâmpadas de LED, mais econômicas. Os tetos têm um revestimento especial para manter a temperatura estável no ambiente, reduzindo o consumo de eletricidade com ar condicionado. Já os carrinhos dessas lojas são feitos de garrafas PET recicladas. Juntas, as unidades proporcionam ao grupo uma economia de 140 000 reais por mês
O executivo mais verde do mundo
Fotos Delfim Martins/Pulsar e Miriam Fichtner
Jeffrey Immelt, que em 2001 assumiu a presidência mundial da General Electric no lugar do lendário Jack Welch, está à frente da maior reformulação da história da companhia. Ele é o idealizador do selo verde Ecomagination, que hoje conta com oitenta produtos. Eles vão de lâmpadas fluorescentes a turbinas (acima) que emitem menos gases do efeito estufa
Com reportagem de Alexandre Salvador, Carolina Melo e Carolina Romanini
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revista veja
Enviado por: "Danilo Pretti Di Giorgi"
Ter, 8 de Jun de 2010 11:54 am
Tem novidade aí, em especial por se tratar da revista veja
abs
danilo
http://veja.abril.com.br/090610/matar-natureza-matar-lucro-p-148.shtml
Ambiente
Matar a natureza é matar o lucro
As empresas descobrem que a biodiversidade significa dinheiro
em caixa e que a saúde do negócio está vinculada à saúde do planeta
Gabriela Carelli
Até pouco tempo atrás, as empresas costumavam atrelar seu nome às causas verdes principalmente como estratégia de marketing. À medida que o mundo tomava consciência das questões ambientais, em especial a degradação dos recursos naturais, demonstrar preocupação com o planeta era uma forma de lustrar a imagem da companhia e atrair os consumidores para suas marcas. Essa relação entre o mundo dos negócios e a natureza avançou dramaticamente. Se antes as empresas patrocinavam o reflorestamento de uma área ou reciclavam seu lixo, colocavam a conta na lista de despesas, sem esperar retorno financeiro. Hoje, os custos de ações como essas vão para a lista de investimentos, já que podem significar lucros e crescimento nos negócios. Conglomerados como a General Electric, o Walmart e a IBM mantêm projetos de ecoeficiência e de preservação do ambiente porque os consideram estratégicos para a própria sobrevivência. O que mudou? Para entender o fenômeno, tome-se como exemplo a Coca-Cola, uma das marcas mais valiosas do mundo.
Há dez anos, quando anunciou uma série de investimentos inéditos em projetos ambientais, a Coca-Cola não estava preocupada com o derretimento das geleiras do Ártico nem queria salvar os ursos-polares ameaçados de extinção. Diante de estudos que apontavam para a crescente escassez de água doce no planeta, a empresa se convenceu de que ignorar o problema poderia ser perigoso para o futuro de seu negócio. A água é a principal matéria-prima para a fabricação dos mais de 3 000 produtos da marca. A companhia injetou bilhões de dólares na criação de métodos e programas de reutilização e tratamento de água em suas fábricas, em mais de 200 países. Os resultados começaram a aparecer recentemente. Em cada uma das 43 unidades brasileiras, gastavam-se 5,5 litros de água para produzir 1 litro de refrigerante. Hoje esse gasto é de 2,04 litros. A redução representa uma economia de 500 000 reais ao ano, por fábrica. "Com a população mundial perto dos 9 bilhões e a água cada vez mais escassa, não tínhamos outro caminho a seguir", afirmou recentemente o presidente mundial da Coca-Cola, Muhtar Kent, em entrevista à revista Forbes.
"O aquecimento global, a escassez de água, a extinção das espécies e o despejo de produtos tóxicos afetaram profundamente o funcionamento da sociedade e também o das empresas", disse a VEJA o economista Andrew Winston, da Universidade Princeton, consultor de grandes companhias para questões ambientais. "Pela primeira vez na história, os empresários deparam com limites de crescimento reais impostos por questões relacionadas à natureza", ele completa. O mundo dos negócios e o mundo natural estão inextricavelmente ligados. Todo produto que chega ao consumidor, seja um carro, um tênis ou uma xícara de café, tem origem na extração ou colheita de bens da natureza. Esses bens, a água, as terras cultiváveis, as florestas, são finitos. Justamente nesse ponto reside o maior desafio para as empresas. Desde a Revolução Industrial, iniciada no século XVIII, o modelo econômico mundial privilegiou a produção em detrimento da preservação dos recursos naturais. Essa conta está sendo cobrada agora – e é bem cara.
A destruição da biodiversidade nunca foi tão intensa. De acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas divulgado no mês passado, mais de 60% de todos os ecossistemas do planeta estão ameaçados. Desse total, 35% são mangues e 40% florestas. Hoje, a demanda por recursos naturais excede em 35% a capacidade da Terra. Se a escalada dessa demanda continuar no ritmo atual, em 2030 serão necessárias duas Terras para satisfazê-la. Entre 2000 e 2005, a devastação das florestas na América do Sul foi de 4,3 milhões de hectares, 3,5 milhões deles no Brasil. De acordo com a ONU, só o desmatamento e a degradação de áreas de mangue causam um prejuízo anual de 2,5 a 4,5 trilhões de dólares à economia global. Equivale a jogar no lixo um valor próximo ao PIB do Japão, o segundo maior do mundo.
Nesta semana, em Busan, na Coreia do Sul, representantes de um conjunto de países estarão reunidos para discutir a criação de um grupo destinado a estudar as consequências das alterações na biodiversidade do planeta. Será um organismo semelhante ao IPCC, da ONU, que estuda as mudanças climáticas e seus efeitos. O material de trabalho do grupo a ser formado é o relatório "Aspectos econômicos dos ecossistemas e da biodiversidade", elaborado por treze países, entre desenvolvidos e emergentes, cuja última parte será divulgada em outubro. Estima-se que ele terá o mesmo impacto do estudo sobre as mudanças climáticas divulgado em 2006 pelo economista inglês Nicholas Stern, que norteou boa parte das pesquisas sobre o tema a partir de então. A criação da nova equipe se justifica porque os problemas na biodiversidade, em grande parte, ocorrem em pontos específicos do planeta, enquanto a questão do clima tem alcance global.
Calcular, em dinheiro, o prejuízo da destruição dos recursos naturais não é tarefa fácil. Primeiro, é preciso atribuir um valor monetário a toda a biodiversidade da Terra. O economista Robert Costanza, da Universidade de Vermont, foi o primeiro a fazê-lo. Em 1997, ele concluiu que a biodiversidade do planeta valia 33 trilhões de dólares. São 45 trilhões de dólares, em valores atuais. Para chegar a essa quantia, estimou-se quanto custariam os serviços prestados gratuitamente pela natureza ao homem, como a água limpa, o solo fértil para plantio de alimentos, a purificação do ar pelas florestas, a polinização e outros recursos naturais. Foram avaliadas dezessete categorias, que ganharam o nome de serviços ambientais. "A conta é complicada e pode implicar erros pontuais, mas até agora é a única maneira eficiente que os ambientalistas e economistas encontraram de mostrar para a sociedade e para as empresas quanto está sendo desperdiçado", diz Ernesto Cavasin, especialista em sustentabilidade, da consultoria PricewaterhouseCoopers.
A criação de índices de sustentabilidade nas principais bolsas de valores do mundo reflete a valorização das companhias verdes. Quando o mercado de capitais, centro financiador do desenvolvimento econômico, cria um índice, dá um recado explícito às empresas do que ele procura. Nesse caso, o mercado deixou claro que a agenda socioambiental não pode ser ignorada pelas empresas que querem prosperar. Na Bolsa de Valores de São Paulo, o índice de sustentabilidade (ISE), criado há cinco anos, mostra resultados melhores do que o índice tradicional. No ano passado, as ações medidas pelo índice Ibovespa subiram 18,5%, enquanto as medidas pelo ISE da Bovespa aumentaram 24,7%. Atualmente, 34 empresas integram essa carteira de ações. "O mundo financeiro se move de acordo com a sua percepção de risco. Aos olhos dos investidores, a falta de preocupação ambiental de uma companhia denota falta de zelo com o próprio patrimônio", explica Sônia Favaretto, diretora de sustentabilidade da BM&FBovespa.
Há quinze anos, a Sadia começou a ter problemas com as fazendas que lhe fornecem os porcos para a produção de alimentos industrializados. Os ambientalistas queixavam-se de que o dejeto dos animais, rico em metano, um dos principais gases do efeito estufa, era descartado no ambiente sem controle algum. As reclamações trouxeram muitas dores de cabeça para a Sadia, mas a companhia conseguiu tirar vantagem da situação. Primeiro, desenvolveu uma técnica para transformar os dejetos em adubo e depois em energia elétrica. O metano, quando queimado, tem o seu impacto na atmosfera reduzido em 21 vezes. Com 1 086 suinocultores parceiros do projeto, a Sadia pretende, agora, lucrar com a iniciativa com a venda de créditos de carbono.
Um marco na adesão das empresas à economia verde se deu em 2005, quando a General Electric e o Walmart, duas das maiores empresas do mundo, começaram a reformulação em seus negócios. A GE lançou uma linha batizada de Ecomagination, inicialmente com dezessete produtos. Eles aliavam um menor custo de produção a um menor impacto no ambiente. Hoje, a linha conta com oitenta produtos, que vão de lâmpadas fluorescentes a motores de trem que emitem menos CO2 e consomem menos água. Em 2008, a empresa lucrou, só com a linha verde, 17 bilhões de dólares, 21% a mais do que no ano anterior. Com o lema "Aqui preservar é um bom negócio", o Walmart começou uma transformação no modelo tradicional de varejo. Dizendo-se preocupado com o futuro do planeta, o então presidente mundial da rede, Lee Scott, anunciou que a empresa deveria, a longo prazo, utilizar em suas lojas 100% de energia renovável, reduzir a zero a produção de lixo em sua operação e vender apenas produtos que não ameaçassem a natureza. Desde então, a maioria das lojas do Walmart conseguiu economizar 25% de energia. No Brasil, 140 das 388 lojas encaminham seus resíduos para reciclagem. Eles são transformados em ração para animais ou adubo.
Os caminhos até uma economia verde e sustentável começaram a ser traçados na década de 70, quando os efeitos danosos da industrialização no ambiente se tornaram mais visíveis. Em 1987, a expressão desenvolvimento sustentável foi definida no relatório "Nosso futuro comum", também conhecido como Relatório Brundtland, elaborado pela Comissão Mundial de Meio Ambiente e Desenvolvimento, da ONU. Surgia a ideia de que o desenvolvimento não deveria implicar riscos à natureza a ponto de prejudicar as gerações futuras. No decorrer da década de 90, com as discussões em torno do aquecimento global, a sociedade começou a pressionar as instituições financeiras para boicotar grandes poluidores. Surgiu assim, em 2002, o tratado Princípios do Equador, a primeira intervenção real do setor econômico na questão da preservação da natureza. No acordo, dez dos maiores bancos do mundo se comprometeram a não emprestar dinheiro a empresas que desprezassem as preocupações com o ambiente em suas atividades. Era questão de tempo para que, ao longo da década, as empresas de todos os ramos de atividade descobrissem que destruir a natureza é reduzir seus próprios lucros.
Varejo sem desperdício
Claudio Gatti
No ano passado, a rede de supermercados Pão de Açúcar investiu 60 milhões de reais em iniciativas sustentáveis. As mais vistosas são as sete lojas verdes (acima) espalhadas pelo país. Elas são equipadas com lâmpadas de LED, mais econômicas. Os tetos têm um revestimento especial para manter a temperatura estável no ambiente, reduzindo o consumo de eletricidade com ar condicionado. Já os carrinhos dessas lojas são feitos de garrafas PET recicladas. Juntas, as unidades proporcionam ao grupo uma economia de 140 000 reais por mês
O executivo mais verde do mundo
Fotos Delfim Martins/Pulsar e Miriam Fichtner
Jeffrey Immelt, que em 2001 assumiu a presidência mundial da General Electric no lugar do lendário Jack Welch, está à frente da maior reformulação da história da companhia. Ele é o idealizador do selo verde Ecomagination, que hoje conta com oitenta produtos. Eles vão de lâmpadas fluorescentes a turbinas (acima) que emitem menos gases do efeito estufa
Com reportagem de Alexandre Salvador, Carolina Melo e Carolina Romanini
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quinta-feira, abril 29, 2010
Rodolfo Salm fala sobre Belo Monte pro Fantastico
Especialista diz que destruição da Bacia do Xingu terá consequências no planeta
Do campus da Universidade Federal do Pará, saíram especialistas que fizeram um relatório apontando falhas no projeto.
No último domingo (25), a repórter Sônia Bridi mostrou o que está em discussão no projeto da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. A obra tem defensores entre quem espera pelos empregos gerados por ela e é criticada por índios e cientistas, por causa do impacto ambiental.
Na região da volta grande do Xingu, a gente precisa recalibrar nosso senso de espaço. Tudo é grande. É imensa a transamazônica - enorme o trecho sem asfalto, 800 quilômetros. A cidade de Altamira, a maior da região fica no maior município do mundo.
FOTOS: Veja os bastidores das gravações na região do Xingu
“Essa micro-região nossa, que é de 258 mil quilômetros quadrados, maior do que o estado de São Paulo, tem problemas grandiosos. Nós temos 250 policiais pra tomar conta de uma área desse tamanho”, comenta Valdir Soares, movimento Fort Xingu.
Altamira tem um campus da Universidade Federal do Pará, com professores doutores, muitos formados no exterior. De lá saíram alguns especialistas que fizeram um relatório apontando falhas no projeto da usina, que segundo eles vai destruir boa parte da Floresta Amazônica.
“Para quem mora na cidade de Altamira, a própria subida do lençol freático, o barramento do rio seria uma grande tragédia. Porque a gente teria problemas com a rede de esgotos, que é inexistente. A cidade ficaria cercada pela rede de esgoto e teria a multiplicação de pragas. Então para quem vive localmente isso seria uma desgraça. Em uma escala maior, o mais grave é a destruição da Bacia do Xingu, que emitira uma quantidade de gás carbônico absurda, o que traz consequências graves pro mundo inteiro”, conta Rodolfo Salm, PHD em Ciências Ambientais.
No Fantástico, o responsável pelo projeto tranquilizou a população da volta grande do Xingu, mas a discussão continua. O resultado dela diz respeito, principalmente, a quem mal entrou nessa conversa.
Do campus da Universidade Federal do Pará, saíram especialistas que fizeram um relatório apontando falhas no projeto.
No último domingo (25), a repórter Sônia Bridi mostrou o que está em discussão no projeto da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará. A obra tem defensores entre quem espera pelos empregos gerados por ela e é criticada por índios e cientistas, por causa do impacto ambiental.
Na região da volta grande do Xingu, a gente precisa recalibrar nosso senso de espaço. Tudo é grande. É imensa a transamazônica - enorme o trecho sem asfalto, 800 quilômetros. A cidade de Altamira, a maior da região fica no maior município do mundo.
FOTOS: Veja os bastidores das gravações na região do Xingu
“Essa micro-região nossa, que é de 258 mil quilômetros quadrados, maior do que o estado de São Paulo, tem problemas grandiosos. Nós temos 250 policiais pra tomar conta de uma área desse tamanho”, comenta Valdir Soares, movimento Fort Xingu.
Altamira tem um campus da Universidade Federal do Pará, com professores doutores, muitos formados no exterior. De lá saíram alguns especialistas que fizeram um relatório apontando falhas no projeto da usina, que segundo eles vai destruir boa parte da Floresta Amazônica.
“Para quem mora na cidade de Altamira, a própria subida do lençol freático, o barramento do rio seria uma grande tragédia. Porque a gente teria problemas com a rede de esgotos, que é inexistente. A cidade ficaria cercada pela rede de esgoto e teria a multiplicação de pragas. Então para quem vive localmente isso seria uma desgraça. Em uma escala maior, o mais grave é a destruição da Bacia do Xingu, que emitira uma quantidade de gás carbônico absurda, o que traz consequências graves pro mundo inteiro”, conta Rodolfo Salm, PHD em Ciências Ambientais.
No Fantástico, o responsável pelo projeto tranquilizou a população da volta grande do Xingu, mas a discussão continua. O resultado dela diz respeito, principalmente, a quem mal entrou nessa conversa.
terça-feira, abril 27, 2010
macaco simao - lula e dilma; como treinar seu dragao!
JOSÉ SIMÃO
Buemba! Dilma leva um Tiro Gomes!
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Lula quer mudar o desempenho da Dilma na TV; é o filme "Como Treinar Seu Dragão"
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BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! E olha a foto que recebi hoje: NEYMAR Transporte Escolar! Deve ser para levar os meninos da Vila! E esta direto de Portugal: "Procura-se cadela com chip". E outra: "Procura-se "pincher" cor marron que atende pelo nome de Fifi. PORÉM É SURDA!". Rarará!
Lula chama Dilma e quer mudar seu desempenho na TV. Então é aquele filme "Como Treinar Seu Dragão"! Lula e Dilma em "Como Treinar Seu DragNão". Em 3D!
Padrefolia Urgente! O coroinha se confessando: "Padre, eu transei com um padre. O que eu mereço?". "Um lanche e um refrigerante." "Igreja quer que Susan Boyle cante para o papa." The Mamas and the Papas! E a Susan Boyle vai cantar o quê? "Eu sei que eu sou bonita e gostosa." E um amigo me disse que, se ficasse sozinho numa ilha deserta com a Susan Boyle, namoraria o coqueiro.
E o Ciro Gomes? Dois apelidos pro Ciro Gomes: NERVOCIRO E TIRO GOMES! E esse é o discurso do Ciro: "@#&*ZHPANG%#&*"! E o NervoCiro tem duas propostas de governo: "Eu proponho que você vá pro inferno" e "eu proponho dar um cacete bem no meio da sua ideia"! Diz que ele é destemperado com sal grosso!
E aquela foto do Serra Vampiro beijando o pescoço do Aécio? É que ele cansou de sugar paulista, agora quer sugar mineiro para variar. Rarará! Pescoço à pururuca. E me perguntaram uma coisa intrigante: "O Aécio só tem avô? Não tem mais parente nenhum?!".
O cúmulo da burrice: uma mulher, num restaurante, rodeada de milionários, paquerar o garçom! E esta: "Coreia do Norte alega barbeiragem e proíbe mulher de dirigir". Só na Coreia do Norte? Por enquanto! Até chegar à marginal vai demorar. E mais esta: "Menina de três anos acorda do coma cantando Abba".
Então ela não acordou, foi possuída. Ou então era o Ricky Martin. Rarará! É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse aquele outro: é mole, mas chacoalha para ver o que acontece! Antitucanês Reloaded, a Missão.
Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que em João Pessoa, na Paraíba, tem um supermercado chamado O Supremo Pinto. Ueba! Parece Dias Gomes. Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção. Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Frigideira": congresso de companheiras frígidas. Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
simao@uol.com.br
Buemba! Dilma leva um Tiro Gomes!
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Lula quer mudar o desempenho da Dilma na TV; é o filme "Como Treinar Seu Dragão"
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BUEMBA! BUEMBA! Macaco Simão Urgente! O esculhambador-geral da República! Direto do País da Piada Pronta! E olha a foto que recebi hoje: NEYMAR Transporte Escolar! Deve ser para levar os meninos da Vila! E esta direto de Portugal: "Procura-se cadela com chip". E outra: "Procura-se "pincher" cor marron que atende pelo nome de Fifi. PORÉM É SURDA!". Rarará!
Lula chama Dilma e quer mudar seu desempenho na TV. Então é aquele filme "Como Treinar Seu Dragão"! Lula e Dilma em "Como Treinar Seu DragNão". Em 3D!
Padrefolia Urgente! O coroinha se confessando: "Padre, eu transei com um padre. O que eu mereço?". "Um lanche e um refrigerante." "Igreja quer que Susan Boyle cante para o papa." The Mamas and the Papas! E a Susan Boyle vai cantar o quê? "Eu sei que eu sou bonita e gostosa." E um amigo me disse que, se ficasse sozinho numa ilha deserta com a Susan Boyle, namoraria o coqueiro.
E o Ciro Gomes? Dois apelidos pro Ciro Gomes: NERVOCIRO E TIRO GOMES! E esse é o discurso do Ciro: "@#&*ZHPANG%#&*"! E o NervoCiro tem duas propostas de governo: "Eu proponho que você vá pro inferno" e "eu proponho dar um cacete bem no meio da sua ideia"! Diz que ele é destemperado com sal grosso!
E aquela foto do Serra Vampiro beijando o pescoço do Aécio? É que ele cansou de sugar paulista, agora quer sugar mineiro para variar. Rarará! Pescoço à pururuca. E me perguntaram uma coisa intrigante: "O Aécio só tem avô? Não tem mais parente nenhum?!".
O cúmulo da burrice: uma mulher, num restaurante, rodeada de milionários, paquerar o garçom! E esta: "Coreia do Norte alega barbeiragem e proíbe mulher de dirigir". Só na Coreia do Norte? Por enquanto! Até chegar à marginal vai demorar. E mais esta: "Menina de três anos acorda do coma cantando Abba".
Então ela não acordou, foi possuída. Ou então era o Ricky Martin. Rarará! É mole? É mole, mas sobe! Ou, como disse aquele outro: é mole, mas chacoalha para ver o que acontece! Antitucanês Reloaded, a Missão.
Continuo com a minha heroica e mesopotâmica campanha Morte ao Tucanês. É que em João Pessoa, na Paraíba, tem um supermercado chamado O Supremo Pinto. Ueba! Parece Dias Gomes. Mais direto impossível. Viva o antitucanês. Viva o Brasil!
E atenção. Cartilha do Lula. O Orélio do Lula. Mais um verbete pro óbvio lulante. "Frigideira": congresso de companheiras frígidas. Rarará! O lulês é mais fácil que o ingrêis. Nóis sofre, mas nóis goza. Hoje só amanhã. Que eu vou pingar o meu colírio alucinógeno!
simao@uol.com.br
apagão? Lula apelando a argumento totalmente improcedente
Ser contra Belo Monte é querer apagão, afirma Lula
Presidente cita mudança climática para defender usina
SIMONE IGLESIAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou o governo do antecessor Fernando Henrique Cardoso de "incompetente" por causa do apagão que ocorreu em 2001. Segundo Lula, os que não concordam com a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, leiloada na semana passada, querem que o Brasil mantenha uma indústria do apagão.
"Tem aqueles que esperam que haja sempre uma desgraça no país para eles poderem encontrar um culpado. Nós temos aí uma indústria do apagão, pessoas que não querem que a gente construa a energia necessária porque querem que tenha um apagão para poder justificar o apagão de 2001. O apagão de 2001 foi incompetência e nós não vamos ter atos de incompetência", afirmou Lula em seu programa semanal de rádio, "Café com o Presidente".
Ele afirmou que seu governo estudou por cinco anos todos os impactos que a construção da usina terá e que não prejudicará nenhuma comunidade que vive na região.
Lula usou a questão climática e o preço da energia elétrica para justificar a obra. "Temos um potencial hídrico de praticamente 260 mil megawatts. Se o Brasil deixar de produzir isso para começar a utilizar termelétrica a óleo diesel, será um movimento insano contra toda a luta que nós estamos fazendo no mundo pela questão climática."
Financiamento
No Paraná, o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento), Luciano Coutinho, afirmou que a instituição irá financiar a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, com "uma parcela expressiva" de créditos para obras de infraestrutura.
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Colaborou DIMITRI DO VALLE , da Agência Folha, em
Presidente cita mudança climática para defender usina
SIMONE IGLESIAS
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou o governo do antecessor Fernando Henrique Cardoso de "incompetente" por causa do apagão que ocorreu em 2001. Segundo Lula, os que não concordam com a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, leiloada na semana passada, querem que o Brasil mantenha uma indústria do apagão.
"Tem aqueles que esperam que haja sempre uma desgraça no país para eles poderem encontrar um culpado. Nós temos aí uma indústria do apagão, pessoas que não querem que a gente construa a energia necessária porque querem que tenha um apagão para poder justificar o apagão de 2001. O apagão de 2001 foi incompetência e nós não vamos ter atos de incompetência", afirmou Lula em seu programa semanal de rádio, "Café com o Presidente".
Ele afirmou que seu governo estudou por cinco anos todos os impactos que a construção da usina terá e que não prejudicará nenhuma comunidade que vive na região.
Lula usou a questão climática e o preço da energia elétrica para justificar a obra. "Temos um potencial hídrico de praticamente 260 mil megawatts. Se o Brasil deixar de produzir isso para começar a utilizar termelétrica a óleo diesel, será um movimento insano contra toda a luta que nós estamos fazendo no mundo pela questão climática."
Financiamento
No Paraná, o presidente do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento), Luciano Coutinho, afirmou que a instituição irá financiar a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, com "uma parcela expressiva" de créditos para obras de infraestrutura.
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Colaborou DIMITRI DO VALLE , da Agência Folha, em
segunda-feira, abril 26, 2010
até que enfim Marina se pronuncia sobre BM
MARINA SILVA
Represa de erros
ESTÃO MAIS do que evidentes a complexidade e os riscos envolvidos na construção da usina hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu, no Pará.
Erros há 20 anos represados, sobram dúvidas e incertezas sobre a viabilidade econômica e a extensão dos impactos socioambientais do empreendimento.
Apesar de todas as manifestações em contrário, o governo se mantém indiferente. Fez-se o leilão semana passada e anunciou-se um vencedor, apesar da insegurança jurídica do processo e a fragilidade dos arranjos societários de última hora. Vê-se o direcionamento de todos os instrumentos de políticas públicas para viabilizar um projeto estrategicamente ruim, caro e de altíssimo risco socioambiental.
Enquanto isso, pouco se faz para reduzir perdas da ordem de 15% em energia no país, o equivalente a três vezes a capacidade média de Belo Monte. E o processo em curso aponta mais desperdício: Belo Monte terá uma produção energética efetiva bem menor do que sua capacidade total -4.428 MW, em função do regime hídrico do rio e da configuração do projeto, e não os 11.223 MW anunciados.
Surpreendem também as condições à disposição dos interessados em comercializar a energia gerada pelo rio Xingu. Tem-se R$ 13,5 bilhões em crédito subsidiado pelo BNDES, com prazo de 30 anos para pagamento, a juros de 4% ao ano.
Isenção de impostos sobre os lucros, o comprometimento do capital de empresas estatais e de fundos de pensão e, de quebra, o absurdo comprometimento de licenciamento ambiental com prazo preestabelecido para a obra começar já em setembro.
Mesmo assim, as duas empresas privadas que melhor conheciam o projeto não participaram do leilão.
Preferem a posição de contratadas aos de investidoras, enquanto outras, vitoriosas, ameaçam desistir dos benefícios aparentemente irrecusáveis. Imaginem se todas essas condições excepcionais fossem para melhorias da eficiência do sistema elétrico e para redução da demanda por energia?
A política energética em curso é manca: apoia-se apenas no aumento da oferta sem investir na diversificação, na conservação e na gestão do mercado. Temos um sistema com elevadas perdas por desvio, manutenção precária e pouco incentivo para o uso de técnicas construtivas de maior eficiência energética.
Definitivamente precisamos expandir a oferta de energia, mas não necessitamos, para isso, manter a cultura do desperdício e comprometer o patrimônio ambiental e os recursos do país, quando temos alternativas de geração.
contato marinasilva@uol.com.br
Represa de erros
ESTÃO MAIS do que evidentes a complexidade e os riscos envolvidos na construção da usina hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu, no Pará.
Erros há 20 anos represados, sobram dúvidas e incertezas sobre a viabilidade econômica e a extensão dos impactos socioambientais do empreendimento.
Apesar de todas as manifestações em contrário, o governo se mantém indiferente. Fez-se o leilão semana passada e anunciou-se um vencedor, apesar da insegurança jurídica do processo e a fragilidade dos arranjos societários de última hora. Vê-se o direcionamento de todos os instrumentos de políticas públicas para viabilizar um projeto estrategicamente ruim, caro e de altíssimo risco socioambiental.
Enquanto isso, pouco se faz para reduzir perdas da ordem de 15% em energia no país, o equivalente a três vezes a capacidade média de Belo Monte. E o processo em curso aponta mais desperdício: Belo Monte terá uma produção energética efetiva bem menor do que sua capacidade total -4.428 MW, em função do regime hídrico do rio e da configuração do projeto, e não os 11.223 MW anunciados.
Surpreendem também as condições à disposição dos interessados em comercializar a energia gerada pelo rio Xingu. Tem-se R$ 13,5 bilhões em crédito subsidiado pelo BNDES, com prazo de 30 anos para pagamento, a juros de 4% ao ano.
Isenção de impostos sobre os lucros, o comprometimento do capital de empresas estatais e de fundos de pensão e, de quebra, o absurdo comprometimento de licenciamento ambiental com prazo preestabelecido para a obra começar já em setembro.
Mesmo assim, as duas empresas privadas que melhor conheciam o projeto não participaram do leilão.
Preferem a posição de contratadas aos de investidoras, enquanto outras, vitoriosas, ameaçam desistir dos benefícios aparentemente irrecusáveis. Imaginem se todas essas condições excepcionais fossem para melhorias da eficiência do sistema elétrico e para redução da demanda por energia?
A política energética em curso é manca: apoia-se apenas no aumento da oferta sem investir na diversificação, na conservação e na gestão do mercado. Temos um sistema com elevadas perdas por desvio, manutenção precária e pouco incentivo para o uso de técnicas construtivas de maior eficiência energética.
Definitivamente precisamos expandir a oferta de energia, mas não necessitamos, para isso, manter a cultura do desperdício e comprometer o patrimônio ambiental e os recursos do país, quando temos alternativas de geração.
contato marinasilva@uol.com.br
sexta-feira, abril 23, 2010
Sexta, 23 de abril de 2010, 08h04 A índia Tuíra tem razão
Sexta, 23 de abril de 2010, 08h04 A índia Tuíra tem razãoFabio Feldmann
De São Paulo
Manifestantes do Greenpeace fazem protesto pacífico em frente à sede da Aneel, em Brasília. Os ativistas descarregaram um caminhão de esterco no local, como forma de protesto contra o leilão da Hidrelétrica de Belo Monte. (Foto: Agência Brasil)
Essa semana é impossível não comentar o leilão sobre a hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará.
Acompanho o assunto há mais de 20 anos e estava na reunião em Altamira, quando a índia Tuíra se manifestou dramaticamente sobre o assunto, dirigindo-se à mesa da qual eu fazia parte, e passou um facão no rosto do atual presidente da Eletronorte, José Antonio Muniz Lopes. Na época, Belo Monte se chamava Kararaô, que na língua dos índios Kayapós representa um grito de guerra.
De lá para cá, o projeto foi modificado em termos da área a ser inundada, com adoção de novas tecnologias, mas não tenho dúvida de que o mesmo ainda terá grande impacto na região, na maior parte irreversível, afetando as populações que ali vivem, especialmente as comunidades de ribeirinhos e indígenas, que têm se manifestado contra o projeto, a exemplo do documento publicado no jornal Valor Econômico, no dia 21 de abril de 2010, "Nós indígenas do Xingu, não queremos Belo Monte".
O grande argumento a favor de Belo Monte seria a produção de energia para assegurar o crescimento econômico do país nos próximos anos, como se estivéssemos diante de uma situação de vida e morte em relação a esse último. Nos debates havidos pela imprensa, o governo, através de seus representantes, insiste nessa tecla, desqualificando a posição daqueles que questionam o empreendimento, chegando mesmo a argumentar que "interesses estrangeiros" conspiram contra o crescimento do Brasil, por medo da concorrência de nossos bens de exportação. A Advocacia Geral da União, através de seu advogado geral, Luís Inácio Adams, ameaça promover processos contra os autores de ações judiciais que questionam no Poder Judiciário o empreendimento.
Estranho tudo isso. Se estivéssemos vivendo os tempos sombrios do regime autoritário, não haveria o que por ou tirar do figurino das autoridades governamentais. O mesmo discurso, do Brasil grande, do Brasil potência, e a mesma ladainha dos interesses estrangeiros e da "conspiração" contra o nosso crescimento. Que se dane os impactos socioambientais porque o Brasil precisa crescer.
Pessoalmente, entendo a necessidade de aumento da oferta de energia para o Brasil, bem como uma opção de hidroeletricidade ao invés de térmicas, que geram gases efeito estufa contribuindo para o aquecimento global. Até aí nada de novo. Todos acreditamos que o país precisará de novas fontes de energia e também melhor administrar a demanda. Entretanto, essas premissas não autorizam a construção de Belo Monte. O projeto está sendo implantado no final de um governo, com enorme participação de investimento do contribuinte, através da Eletrobrás e do BNDES, com custos questionáveis.
Muitos daqueles que são a favor de empreendimentos dessa natureza questionam o preço do megawatt (MW) a ser gerado em Belo Monte e da sua capacidade de geração: calcula-se que a usina gerará apenas 40% da capacidade instalada de 11.200 MW. Ou seja, Belo Monte corre o risco de se tornar uma nova Balbina, usina símbolo de mau planejamento energético do Brasil.
Enfim, por que empurrar goela abaixo da sociedade um projeto tão polêmico e com tanta controvérsia?
O processo de licenciamento não atendeu requisitos de transparência, pesando sobre o mesmo suspeita de açodamento por se tratar de iniciativa prioritária para o governo Lula. Os próprios ganhadores do leilão ameaçam desistir exatamente pelas incertezas que pesam sobre o empreendimento, ou seja, diante de tantos riscos.
Como tenho dito diversas vezes nessa coluna, Belo Monte significa o Brasil atrasado e o desenvolvimento do século XX. Da mesma maneira, revogar as conquistas do Código Florestal e implantar um Porto em Ilhéus, mais precisamente na Área de Preservação Ambiental da Lagoa Encantada, para exportação de minério de ferro, também são símbolos desse mesmo desenvolvimento atrasado.
Empreendimentos dessa envergadura e com impactos tão grandes sobre o Xingu deveriam ser postergados até que pudéssemos esgotar definitivamente todas as outras alternativas menos impactantes e polêmicas. Caso isso não ocorra, quem pagará a conta será o contribuinte brasileiro e as futuras gerações.
Fabio Feldmann é consultor, advogado, administrador de empresas, secretário executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade e fundador da Fundação SOS Mata Atlântica. Foi deputado federal, secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Dirige um escritório de consultoria, que trabalha com questões relacionadas ao desenvolvimento sustentável.
Fale com Fabio Feldmann: fabiofeldmann08@terra.com.br
De São Paulo
Manifestantes do Greenpeace fazem protesto pacífico em frente à sede da Aneel, em Brasília. Os ativistas descarregaram um caminhão de esterco no local, como forma de protesto contra o leilão da Hidrelétrica de Belo Monte. (Foto: Agência Brasil)
Essa semana é impossível não comentar o leilão sobre a hidrelétrica de Belo Monte, no rio Xingu, no Pará.
Acompanho o assunto há mais de 20 anos e estava na reunião em Altamira, quando a índia Tuíra se manifestou dramaticamente sobre o assunto, dirigindo-se à mesa da qual eu fazia parte, e passou um facão no rosto do atual presidente da Eletronorte, José Antonio Muniz Lopes. Na época, Belo Monte se chamava Kararaô, que na língua dos índios Kayapós representa um grito de guerra.
De lá para cá, o projeto foi modificado em termos da área a ser inundada, com adoção de novas tecnologias, mas não tenho dúvida de que o mesmo ainda terá grande impacto na região, na maior parte irreversível, afetando as populações que ali vivem, especialmente as comunidades de ribeirinhos e indígenas, que têm se manifestado contra o projeto, a exemplo do documento publicado no jornal Valor Econômico, no dia 21 de abril de 2010, "Nós indígenas do Xingu, não queremos Belo Monte".
O grande argumento a favor de Belo Monte seria a produção de energia para assegurar o crescimento econômico do país nos próximos anos, como se estivéssemos diante de uma situação de vida e morte em relação a esse último. Nos debates havidos pela imprensa, o governo, através de seus representantes, insiste nessa tecla, desqualificando a posição daqueles que questionam o empreendimento, chegando mesmo a argumentar que "interesses estrangeiros" conspiram contra o crescimento do Brasil, por medo da concorrência de nossos bens de exportação. A Advocacia Geral da União, através de seu advogado geral, Luís Inácio Adams, ameaça promover processos contra os autores de ações judiciais que questionam no Poder Judiciário o empreendimento.
Estranho tudo isso. Se estivéssemos vivendo os tempos sombrios do regime autoritário, não haveria o que por ou tirar do figurino das autoridades governamentais. O mesmo discurso, do Brasil grande, do Brasil potência, e a mesma ladainha dos interesses estrangeiros e da "conspiração" contra o nosso crescimento. Que se dane os impactos socioambientais porque o Brasil precisa crescer.
Pessoalmente, entendo a necessidade de aumento da oferta de energia para o Brasil, bem como uma opção de hidroeletricidade ao invés de térmicas, que geram gases efeito estufa contribuindo para o aquecimento global. Até aí nada de novo. Todos acreditamos que o país precisará de novas fontes de energia e também melhor administrar a demanda. Entretanto, essas premissas não autorizam a construção de Belo Monte. O projeto está sendo implantado no final de um governo, com enorme participação de investimento do contribuinte, através da Eletrobrás e do BNDES, com custos questionáveis.
Muitos daqueles que são a favor de empreendimentos dessa natureza questionam o preço do megawatt (MW) a ser gerado em Belo Monte e da sua capacidade de geração: calcula-se que a usina gerará apenas 40% da capacidade instalada de 11.200 MW. Ou seja, Belo Monte corre o risco de se tornar uma nova Balbina, usina símbolo de mau planejamento energético do Brasil.
Enfim, por que empurrar goela abaixo da sociedade um projeto tão polêmico e com tanta controvérsia?
O processo de licenciamento não atendeu requisitos de transparência, pesando sobre o mesmo suspeita de açodamento por se tratar de iniciativa prioritária para o governo Lula. Os próprios ganhadores do leilão ameaçam desistir exatamente pelas incertezas que pesam sobre o empreendimento, ou seja, diante de tantos riscos.
Como tenho dito diversas vezes nessa coluna, Belo Monte significa o Brasil atrasado e o desenvolvimento do século XX. Da mesma maneira, revogar as conquistas do Código Florestal e implantar um Porto em Ilhéus, mais precisamente na Área de Preservação Ambiental da Lagoa Encantada, para exportação de minério de ferro, também são símbolos desse mesmo desenvolvimento atrasado.
Empreendimentos dessa envergadura e com impactos tão grandes sobre o Xingu deveriam ser postergados até que pudéssemos esgotar definitivamente todas as outras alternativas menos impactantes e polêmicas. Caso isso não ocorra, quem pagará a conta será o contribuinte brasileiro e as futuras gerações.
Fabio Feldmann é consultor, advogado, administrador de empresas, secretário executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade e fundador da Fundação SOS Mata Atlântica. Foi deputado federal, secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Dirige um escritório de consultoria, que trabalha com questões relacionadas ao desenvolvimento sustentável.
Fale com Fabio Feldmann: fabiofeldmann08@terra.com.br
quinta-feira, abril 22, 2010
Execução de Belo Monte preocupa governo
Execução de Belo Monte preocupa governo
Incerteza gira em torno da formação final do grupo vencedor e da maneira como projeto será viabilizado com perspectiva de lucro menor
Planalto esperava que grupo mais forte, encabeçado pela Andrade Gutierrez, ganhasse licitação; vencedor diz que preço ofertado é factível
VALDO CRUZ
LEILA COIMBRA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O resultado do leilão da hidrelétrica de Belo Monte, com deságio de 6%, e as perspectivas de mudança no consórcio Norte Energia criaram dúvidas no mercado e em parte do governo sobre a obra. Na avaliação do governo Lula, o consórcio terá um "lucro menor", mas terá de honrar os compromissos assumidos.
A avaliação, feita por um auxiliar direto de Lula, mostra a preocupação do governo com o valor ofertado pelo consórcio liderado por Chesf, Bertin e construtora Queiroz Galvão, que surpreendeu o governo. "Esperávamos que o grupo mais forte ganhasse e ofertasse o preço mais baixo possível", diz esse assessor.
Na fase de negociação, a equipe de Lula espera que os vencedores do leilão subcontratem, para execução das obras, ao menos duas das três grandes empreiteiras que ficaram de fora do projeto: Andrade Gutierrez, Norberto Odebrecht e Camargo Corrêa. As duas últimas desistiram de participar da disputa por discordarem do preço da energia, mas em seguida abriram negociações com a Andrade para integrar o consórcio caso ela fosse a vencedora.
A avaliação de técnicos do governo e de analistas é que, sem ao menos uma dessas empresas na construção, a obra corre riscos. Afinal, elas não só são as que têm maior experiência nesse tipo de obra como são as que mais conhecem o projeto.
No consórcio vencedor, a única empresa que tem experiência na construção de hidrelétricas é a Queiroz Galvão. O problema é que ela sozinha nunca atuou num projeto da magnitude de Belo Monte e, além disso, ameaça sair do grupo ganhador do leilão.
O consórcio Norte Energia, que enfrenta divisões internas com a ameaça da Queiroz Galvão de se retirar do grupo, ganhou o leilão com a oferta de preço de R$ 78 pelo megawatt-hora, valor 6,02% abaixo do teto fixado de R$ 83.
Maurício Tolmasquim, presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), disse que essa tarifa não poderá ser alterada, mesmo que o investidor venha a ter futuramente aumento nos custos de construção da usina.
"O contrato não permite revisão de seu equilíbrio financeiro. É um risco que o empreendedor assume."
Na terça, logo após o leilão, o consórcio disse que o preço ofertado era factível e que bancaria o custo do projeto, estimado em R$ 19 bilhões pelo governo. "Minhas avaliações, com as equipes técnicas do consórcio, mostram que dá para fazer a obra com a tarifa colocada", afirmou José Ailton de Lima, diretor de engenharia e construção da Chesf.
Além das empreiteiras, o consórcio vencedor negociará com os fundos de pensão Petros e Funcef para entrarem como sócios estratégicos. A entrada tem o patrocínio do governo, para dar "musculatura" financeira aos ganhadores.
O Norte Energia deve buscar também fazer sociedade com autoprodutores de energia, como CSN e Gerdau, além de equacionar a situação da Queiroz Galvão, que pediu prazo de sete dias para decidir se permanece no consórcio.
Incerteza gira em torno da formação final do grupo vencedor e da maneira como projeto será viabilizado com perspectiva de lucro menor
Planalto esperava que grupo mais forte, encabeçado pela Andrade Gutierrez, ganhasse licitação; vencedor diz que preço ofertado é factível
VALDO CRUZ
LEILA COIMBRA
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
O resultado do leilão da hidrelétrica de Belo Monte, com deságio de 6%, e as perspectivas de mudança no consórcio Norte Energia criaram dúvidas no mercado e em parte do governo sobre a obra. Na avaliação do governo Lula, o consórcio terá um "lucro menor", mas terá de honrar os compromissos assumidos.
A avaliação, feita por um auxiliar direto de Lula, mostra a preocupação do governo com o valor ofertado pelo consórcio liderado por Chesf, Bertin e construtora Queiroz Galvão, que surpreendeu o governo. "Esperávamos que o grupo mais forte ganhasse e ofertasse o preço mais baixo possível", diz esse assessor.
Na fase de negociação, a equipe de Lula espera que os vencedores do leilão subcontratem, para execução das obras, ao menos duas das três grandes empreiteiras que ficaram de fora do projeto: Andrade Gutierrez, Norberto Odebrecht e Camargo Corrêa. As duas últimas desistiram de participar da disputa por discordarem do preço da energia, mas em seguida abriram negociações com a Andrade para integrar o consórcio caso ela fosse a vencedora.
A avaliação de técnicos do governo e de analistas é que, sem ao menos uma dessas empresas na construção, a obra corre riscos. Afinal, elas não só são as que têm maior experiência nesse tipo de obra como são as que mais conhecem o projeto.
No consórcio vencedor, a única empresa que tem experiência na construção de hidrelétricas é a Queiroz Galvão. O problema é que ela sozinha nunca atuou num projeto da magnitude de Belo Monte e, além disso, ameaça sair do grupo ganhador do leilão.
O consórcio Norte Energia, que enfrenta divisões internas com a ameaça da Queiroz Galvão de se retirar do grupo, ganhou o leilão com a oferta de preço de R$ 78 pelo megawatt-hora, valor 6,02% abaixo do teto fixado de R$ 83.
Maurício Tolmasquim, presidente da EPE (Empresa de Pesquisa Energética), disse que essa tarifa não poderá ser alterada, mesmo que o investidor venha a ter futuramente aumento nos custos de construção da usina.
"O contrato não permite revisão de seu equilíbrio financeiro. É um risco que o empreendedor assume."
Na terça, logo após o leilão, o consórcio disse que o preço ofertado era factível e que bancaria o custo do projeto, estimado em R$ 19 bilhões pelo governo. "Minhas avaliações, com as equipes técnicas do consórcio, mostram que dá para fazer a obra com a tarifa colocada", afirmou José Ailton de Lima, diretor de engenharia e construção da Chesf.
Além das empreiteiras, o consórcio vencedor negociará com os fundos de pensão Petros e Funcef para entrarem como sócios estratégicos. A entrada tem o patrocínio do governo, para dar "musculatura" financeira aos ganhadores.
O Norte Energia deve buscar também fazer sociedade com autoprodutores de energia, como CSN e Gerdau, além de equacionar a situação da Queiroz Galvão, que pediu prazo de sete dias para decidir se permanece no consórcio.
quarta-feira, abril 21, 2010
Belo Monstro
Consórcio "azarão" vence leilão de Belo Monte
Grupo liderado por Chesf e Queiroz Galvão surpreende na disputa, mas se desfaz parcialmente e deve receber novos sócios
Em licitação marcada por batalha jurídica, consórcio favorito, encabeçado por Andrade Gutierrez, ofereceu preço próximo ao teto fixado
LEILA COIMBRA
HUMBERTO MEDINA
SOFIA FERNANDES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apontado como azarão, o consórcio Norte Energia, liderado pela Chesf, subsidiária da Eletrobras, arrematou a concessão da hidrelétrica de Belo Monte (PA), que será a maior usina 100% brasileira e a terceira maior do mundo quando entrar em operação, em 2015.
O consórcio vencedor, que inclui o grupo Bertin, no entanto, desfez-se parcialmente. "A Queiroz Galvão pediu um tempo para pensar se continua no consórcio", disse o diretor de engenharia e construção da Chesf, José Ailton de Lima. A Folha apurou que a Queiroz Galvão (10,02% de participação no consórcio) enviou aos sócios na semana passada carta em que informava a desistência do projeto. Ontem voltou atrás e pediu sete dias para tomar decisão definitiva.
A construtora J. Malucelli (9,98% de participação) também disse ao grupo estar fora -embora negue oficialmente. Na avaliação da Casa Civil, que não considera irreversível a mudança no consórcio, esse tipo de "acomodação" é natural. De acordo com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), porém, a alteração no consórcio só pode acontecer depois da outorga da usina, prevista para 23 de setembro.
A mudança deverá abrir espaço para os fundos de pensão Petros e Funcef e também autoprodutores (indústrias que absorverão a produção de energia da usina para consumo próprio) como CSN e Braskem.
O leilão
O leilão durou sete minutos e foi encerrado na primeira fase, com o consórcio vencedor ofertando R$ 78 por MWh (megawatt-hora), deságio de 6,02% ante o preço inicial de R$ 83.
Por conta das regras do leilão, o preço de venda para as distribuidoras será de R$ 77,97. O outro consórcio, formado pela construtora Andrade Gutierrez, pela Vale, pela Neoenergia, pela CBA e por duas subsidiárias da Eletrobras (Furnas e Eletrosul), ofereceu R$ 82,90. Como a diferença entre os preços superou 5%, não foi permitida contraproposta.
Em relação aos leilões das hidrelétricas do rio Madeira (RO), a competição por Belo Monte trouxe menos benefícios ao consumidor. Em Santo Antônio, houve deságio de 35%. Em Jirau, de 21%. Os preços, no entanto, ficaram próximos: R$ 78,87 em Santo Antonio e R$ 71,4 em Jirau.
"É a energia mais barata que existe em todo o atual leque de opções de obras no país", disse o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann. Para o diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner, a usina já deveria ter sido feita. "Estamos pagando a conta do atraso com energia mais poluente." Belo Monte está sendo estudada desde 1975.
Para se tornar viável, a hidrelétrica de Belo Monte tem pesada participação estatal, seja por meio das estatais e dos fundos de pensão (que entrarão como sócios estratégicos), seja por benefícios fiscais e financiamento público do BNDES.
O custo da usina, estimado pelo governo em R$ 19 bilhões, muito questionado, foi defendido pelos vencedores. "Dá para fazer a obra com a tarifa colocada", diz Lima, da Chesf.
Para que o leilão fosse realizado, houve uma batalha jurídica: liminares suspendendo o leilão e sendo derrubadas pela Advocacia-Geral da União em seguida. Assim que o pregão foi encerrado, o anúncio do vencedor ficou suspenso por mais de duas horas por conta de outra liminar contrária à obra. Segundo o governo, essa nova liminar não invalidou o leilão, porque ele já havia terminado no momento da notificação.
O Ministério Público Federal investigará se o governo desobedeceu a uma ordem judicial. A Aneel nega. "Fui notificado por e-mail, recebido no meu celular, às 13h30", disse Marcio Pina, procurador-geral da agência. Ele ressaltou, ainda, que, formalmente, a Aneel ainda não foi notificada, mas que, por cautela, decidiu suspender o anúncio dos vencedores.
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Colaborou JOÃO CARLOS MAGALHÃES , da Agência Folha, em Belém
Grupo liderado por Chesf e Queiroz Galvão surpreende na disputa, mas se desfaz parcialmente e deve receber novos sócios
Em licitação marcada por batalha jurídica, consórcio favorito, encabeçado por Andrade Gutierrez, ofereceu preço próximo ao teto fixado
LEILA COIMBRA
HUMBERTO MEDINA
SOFIA FERNANDES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA
Apontado como azarão, o consórcio Norte Energia, liderado pela Chesf, subsidiária da Eletrobras, arrematou a concessão da hidrelétrica de Belo Monte (PA), que será a maior usina 100% brasileira e a terceira maior do mundo quando entrar em operação, em 2015.
O consórcio vencedor, que inclui o grupo Bertin, no entanto, desfez-se parcialmente. "A Queiroz Galvão pediu um tempo para pensar se continua no consórcio", disse o diretor de engenharia e construção da Chesf, José Ailton de Lima. A Folha apurou que a Queiroz Galvão (10,02% de participação no consórcio) enviou aos sócios na semana passada carta em que informava a desistência do projeto. Ontem voltou atrás e pediu sete dias para tomar decisão definitiva.
A construtora J. Malucelli (9,98% de participação) também disse ao grupo estar fora -embora negue oficialmente. Na avaliação da Casa Civil, que não considera irreversível a mudança no consórcio, esse tipo de "acomodação" é natural. De acordo com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), porém, a alteração no consórcio só pode acontecer depois da outorga da usina, prevista para 23 de setembro.
A mudança deverá abrir espaço para os fundos de pensão Petros e Funcef e também autoprodutores (indústrias que absorverão a produção de energia da usina para consumo próprio) como CSN e Braskem.
O leilão
O leilão durou sete minutos e foi encerrado na primeira fase, com o consórcio vencedor ofertando R$ 78 por MWh (megawatt-hora), deságio de 6,02% ante o preço inicial de R$ 83.
Por conta das regras do leilão, o preço de venda para as distribuidoras será de R$ 77,97. O outro consórcio, formado pela construtora Andrade Gutierrez, pela Vale, pela Neoenergia, pela CBA e por duas subsidiárias da Eletrobras (Furnas e Eletrosul), ofereceu R$ 82,90. Como a diferença entre os preços superou 5%, não foi permitida contraproposta.
Em relação aos leilões das hidrelétricas do rio Madeira (RO), a competição por Belo Monte trouxe menos benefícios ao consumidor. Em Santo Antônio, houve deságio de 35%. Em Jirau, de 21%. Os preços, no entanto, ficaram próximos: R$ 78,87 em Santo Antonio e R$ 71,4 em Jirau.
"É a energia mais barata que existe em todo o atual leque de opções de obras no país", disse o ministro de Minas e Energia, Márcio Zimmermann. Para o diretor-geral da Aneel, Nelson Hubner, a usina já deveria ter sido feita. "Estamos pagando a conta do atraso com energia mais poluente." Belo Monte está sendo estudada desde 1975.
Para se tornar viável, a hidrelétrica de Belo Monte tem pesada participação estatal, seja por meio das estatais e dos fundos de pensão (que entrarão como sócios estratégicos), seja por benefícios fiscais e financiamento público do BNDES.
O custo da usina, estimado pelo governo em R$ 19 bilhões, muito questionado, foi defendido pelos vencedores. "Dá para fazer a obra com a tarifa colocada", diz Lima, da Chesf.
Para que o leilão fosse realizado, houve uma batalha jurídica: liminares suspendendo o leilão e sendo derrubadas pela Advocacia-Geral da União em seguida. Assim que o pregão foi encerrado, o anúncio do vencedor ficou suspenso por mais de duas horas por conta de outra liminar contrária à obra. Segundo o governo, essa nova liminar não invalidou o leilão, porque ele já havia terminado no momento da notificação.
O Ministério Público Federal investigará se o governo desobedeceu a uma ordem judicial. A Aneel nega. "Fui notificado por e-mail, recebido no meu celular, às 13h30", disse Marcio Pina, procurador-geral da agência. Ele ressaltou, ainda, que, formalmente, a Aneel ainda não foi notificada, mas que, por cautela, decidiu suspender o anúncio dos vencedores.
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Colaborou JOÃO CARLOS MAGALHÃES , da Agência Folha, em Belém
terça-feira, abril 18, 2006
segunda-feira, abril 17, 2006
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